Igreja de Cambazlı: uma basílica bizantina primitiva no planalto da Cilícia Trachaea
Entre as colinas tranquilas a sul das Montanhas Toros, a pouco mais de uma hora de carro de Silifke, encontram-se as ruínas da Cambazlı Kilisesi — uma das basílicas bizantinas primitivas mais bem preservadas da Cilícia montanhosa. O seu nome antigo exato não chegou até nós, mas as dimensões do templo (13 por 20 metros), os capitéis coríntios das colunas e a planta de três naves indicam que, no século V, existia aqui um importante centro cristão no cruzamento das estradas romanas entre Coricos e Diokésaria.
História
O povoado junto à atual aldeia de Cambazlı (província de Mersin, distrito de Silifke) surgiu ainda na época helenística tardia e continuou a existir nos períodos romano e bizantino. A região chamava-se Cilicia Trachaea — «Cilícia Montanhosa» — e estava repleta de cidades e mosteiros pequenos, mas ricos, ligados à costa por estradas pavimentadas. A basílica de Cambazlı foi construída no século V, quando o cristianismo já se tinha tornado a religião oficial do Império Romano de Oriente e a Cilícia era uma das suas regiões eclesiásticas mais ativas.
Após as incursões árabes dos séculos VII a IX, muitos povoados semelhantes ficaram desertos; as grandes construções, que não foram destruídas de imediato, transformaram-se gradualmente numa fonte de pedra pronta para as aldeias vizinhas. Cambazlı sobreviveu durante séculos como uma paisagem rural tranquila, e foi precisamente este isolamento que preservou o templo melhor do que muitos monumentos mais conhecidos da região.
Arquitetura e o que ver
Planta da basílica
A Cambazlı Kilisesi é uma basílica paleocristã clássica de três naves. As dimensões exteriores são de cerca de 13 por 20 metros. A nave principal está orientada no eixo leste-oeste, como é habitual numa igreja bizantina: a parte do altar com a abside está virada para o sol nascente. As naves laterais estão separadas da central por duas filas de colunas.
Colunas e capitéis coríntios
A fileira sul de colunas chegou até aos nossos dias quase na sua totalidade — com capitéis coríntios e folhas de acanto finamente trabalhadas. A fileira norte, infelizmente, ruiu: as pedras foram utilizadas em construções rurais. As próprias paredes conservaram-se a uma altura considerável, o que permite imaginar claramente o volume do espaço interior.
Abside e portal oriental
Na parte oriental, são visíveis os vestígios de uma abside semicircular com fragmentos de alvenaria. Sobre a entrada oriental, está esculpida uma cruz — motivo típico da iconografia paleocristã da região. Parte das aberturas das janelas e dos arcos chegou até aos nossos dias em estado de semi-ruína, mas dá uma ideia do ritmo da fachada.
Arredores do templo
À volta da basílica encontram-se espalhados mausoléus, túmulos escavados na rocha e cisternas: um conjunto típico de um centro rural da Cilícia tardorromana. Trata-se dos vestígios do mesmo povoado que servia o templo.
Factos interessantes
- O nome antigo da cidade é desconhecido: os arqueólogos referem-se a ela pelo nome da aldeia moderna de Cambazlı.
- Cambazlı é um dos exemplos de como o isolamento salva um monumento: o templo conservou-se melhor do que muitas basílicas da Cilícia costeira precisamente porque se encontra afastado das grandes estradas.
- Coricos (Kızkalesi) e Uzuncaburç (Diocaesarea) situam-se nas proximidades e estão ligados a Cambazlı por uma rede comum de caminhos antigos.
- Fragmentos de capitéis e arquitraves estão espalhados pelos campos vizinhos — os habitantes locais utilizaram-nos durante séculos nas fundações das suas casas.
Como chegar
Cambazlı situa-se na província de Mersin, distrito de Silifke. A partir de Silifke — cerca de 30 km pela estrada que passa por Uzuncaburç (a antiga Diocaesarea); a partir de Mersin — cerca de 85 km. A forma mais conveniente de chegar é de carro alugado: os transportes públicos para a aldeia são irregulares. Coordenadas das ruínas: 36,5749°N, 34,0330°E.
É lógico combinar a viagem a Cambazlı com uma visita a Uzuncaburç e à fortaleza de Coricos, na costa — os três locais compõem um único itinerário, o da «Cilícia Bizantina».
Dicas para o viajante
A melhor época é a primavera e o outono: no verão, o planalto aquece bastante e quase não há sombra sobre as ruínas. Leve água, um chapéu e calçado resistente — há fragmentos arquitetónicos espalhados pela relva, sendo fácil tropeçar. Não há recinto vedado nem bilheteira, a entrada é gratuita, mas isso significa também a ausência de serviços: os cafés e casas de banho mais próximos ficam em Silifke ou Uzuncaburç.
Recomenda-se aos fotógrafos que cheguem de manhã cedo ou perto do pôr-do-sol: a luz oblíqua realça bem a textura da pedra e as sombras das colunas. Respeite o silêncio rural, não toque nos fragmentos arquitetónicos — trata-se de um monumento protegido, embora não haja placas indicativas no local.